A Margem de um Rio Desconhecido

Sempre tive dificuldade em caber.
De ser uma significância só.
De precisar escolher com precisão e pontualmente.
Me sinto digna de todas as possibilidades. De todos os espectros do eu.
E essa liberdade experimental nunca me traiu.
Foi com ela que descobri um estado de abertura permanente. Alegres e também dolorosos.
Apesar de toda pressão e confusão do mundo ao redor que me pede coerência. Foco. Foco.
Um mundo plano, que quer me ver caber em uma única dimensão linear, mas não me tem.
E eu não mais resisto, como quem foge, e de tanto correr, começa a fluir com a velocidade das águas nas pernas, nos braços e o vento que passa pelo corpo lembrando que as margens são locais de encontro.
Sigo em exercício de abertura imensa o suficiente, seguindo sair da rigidez temporal, para encontrar o conforto no desconhecido.
Acho que a responsável, no momento, sou eu mesma, a quem observo, ouvindo mostrar me a liberdade que desejo pra mim.
Tem muito do meu espírito que tem fome da pulsão da vida a atravessar.
Sede de encruzilhada. Clareza.
E que simplesmente aprende como seus joelhos dobrar.
A margem de um rio desconhecido.

Deixe um comentário

google.com, pub-0000000000000000, DIRECT, f08c47fec0942fa0