#EletambémNão

Quisera virar votos entre os meus. Não sei se conseguirei, infelizmente!

“Cada um alcança a verdade que é capaz de suportar.” (Jacques Lacan)

O debate político no Brasil deixou de ser uma troca de ideias para se tornar uma trincheira identitária, na qual mudar de opinião é visto como traição, e não como aprendizado. A lucidez em meio ao caos não é fingir isenção diante da barbárie, nem aderir ao ódio fácil. Significa proteger a própria capacidade de pensar, de duvidar e de ensinar aos que vêm depois de nós que um país não se domestica com gritos, mas se constrói com empatia, respeito ao próximo e livros.

Já mencionei em outros textos a minha perplexidade ao observar pessoas com formação acadêmica superior — em especial mulheres e mães — alinhadas ao movimento bolsonarista. Trata-se de uma vertente política cuja plataforma programática apresenta sérias inconsistências com as reais demandas da população. O percurso político de suas lideranças é historicamente marcado por declarações que minimizam a violência de gênero, além de discursos que tensionam os direitos e as garantias fundamentais de grupos minorizados, como a população negra, comunidades tradicionais e o público LGBTQIAPN+.

Dentre inúmeros episódios, um dos exemplos mais marcantes dessa conduta foi a declaração pública dada em entrevista a um podcast em 2022, na qual o então presidente afirmou ter “pintado um clima” ao relatar um encontro com meninas venezuelanas menores de idade em situação de vulnerabilidade no Distrito Federal, sem que sua autoridade tenha sido utilizada para acionar imediatamente os órgãos de proteção social ou a polícia para denunciar a suposta exploração que diz ter presenciado — se o fez, não mencionou no relato.

Essa dinâmica revela que o bolsonarismo consolidou-se como um movimento de extrema-direita cuja principal força de coesão, antes de qualquer plataforma programática propositiva, reside na oposição radical ao petismo e na reativação de um discurso anticomunista deslocado da realidade geopolítica contemporânea. Apesar de demonstrarem forte capacidade de mobilização econômica e digital, as bases desse movimento frequentemente operam a partir de argumentos simplificados. O próprio estilo de liderança que os guiava consagrou uma estética que confunde intencionalmente a informalidade com a falta de decoro institucional, servindo como uma estratégia de comunicação para gerar identificação popular imediata. Sob essa ótica, parcelas expressivas desse eleitorado acabam instrumentalizadas por lideranças que compreendem perfeitamente as engrenagens dessa polarização.

O percurso daquela gestão federal ficou marcado por severas divergências na condução de políticas públicas essenciais. Durante a crise sanitária global, a instabilidade na divulgação e na metodologia dos dados epidemiológicos oficiais levou os principais veículos de comunicação do país a organizarem um consórcio de imprensa inédito, garantindo a transparência dos índices de contaminação e óbitos por Covid-19 — iniciativas que hoje se multiplicaram e mobilizam multidões nas redes digitais com informação de qualidade. Esse período coincidiu com uma expressiva ocupação de cargos civis na administração pública federal por quadros das Forças Armadas e com o agravamento da insegurança alimentar. Tornaram-se frequentes e documentadas as imagens de famílias recorrendo a descartes e subprodutos de carne em grandes centros urbanos — com destaque para o caso que se tornou emblemático na capital Cuiabá, coração do agronegócio —, além de populações vulneráveis buscando sustento em resíduos descartados.

Na esfera econômica, o salário-mínimo passou por um período sem reajustes acima da inflação oficial, comprimindo o poder de compra. Próximo ao pleito, medidas temporárias de desoneração de tributos provocaram uma redução imediata no preço dos combustíveis, cujos reflexos fiscais e ajustes de mercado se desenharam logo após o período eleitoral. No plano da postura pública, registros de transmissões oficiais documentaram o chefe de Estado minimizando os sintomas e os impactos da Covid-19 em tom de ironia. Além disso, o tensionamento social alcançou o ambiente religioso, no qual lideranças e fiéis que manifestavam divergências diante da retórica de apelo conservador enfrentaram episódios de hostilidade — uma realidade que perdura até os dias atuais.

Não sou dotada de saberes absolutos sobre todas as coisas – longe disso – mas tenho uma noção de um bocado delas. Quando não tenho certeza, dou um simples ‘Google’ ou simplesmente deixo de me manifestar, justamente para evitar propagação de desinformação. Graças a nossa ‘Constituição Cidadã’, ainda vivemos em um país democrático.

Sou #forabolsonaro desde quando ele surgiu no cenário nacional como candidato a presidente em 2018. Confesso que jamais imaginei que ele conseguiria chegar ao mais alto cargo da nossa República, mas, infelizmente, conseguiu.

Diante do meu posicionamento crítico, sei que é quase inevitável receber o rótulo automático de petista. Não sou, embora pudesse ser sem problema nenhum, pois admiro a história do partido. Como sempre digo, nunca tive político de estimação. No entanto, tenho uma admiração imensa pelo Presidente Lula, uma liderança de projeção global e um estadista difícil de substituir. Mas essa admiração não se confunde com idolatria: sei que ele é falível, como qualquer ser humano. Meu apoio se baseia em fatos e em resultados reais, e é por isso que vale resgatar os avanços que marcaram os governos sob o seu comando:

• Economia e Responsabilidade: A articulação e aprovação da histórica Reforma Tributária, a instituição do Novo Arcabouço Fiscal para a estabilidade macroeconômica, o controle da inflação aliado ao crescimento do PIB, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o programa Desenrola Brasil de renegociação de dívidas.

• Desenvolvimento Social e Combate à Fome: O fortalecimento e modernização do programa Bolsa Família, a retomada habitacional do Minha Casa, Minha Vida e a concessão de auxílios de base para famílias de baixa renda (como o Gás do Povo).

• Educação e Futuro: A expansão histórica do acesso ao ensino superior e técnico por meio do ProUni e do Fies, a criação da poupança para estudantes do ensino médio através do programa Pé-de-Meia e o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.

• Saúde Coletiva: A retomada estratégica e a ampliação do programa Mais Médicos e a reestruturação do Farmácia Popular.

• Infraestrutura e Agenda Climática: O lançamento do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) focado em investimentos estruturantes e a reativação do Fundo Amazônia como pilar de protagonismo ambiental internacional.

Quando alguém se dispõe a chefiar o Poder Executivo de uma nação, assume o compromisso de governar com honra, equilíbrio e equidade. É nossa obrigação, enquanto cidadãos, exercer a fiscalização rigorosa em todas as instâncias e, fundamentalmente, por meio do voto consciente. Precisamos fortalecer a premissa de que um governante não trabalha para pautas isoladas ou interesses de grupos, mas em prol do bem comum e da totalidade da sociedade. Independentemente do resultado que o pleito eleitoral aponte, o fato é que o país enfrenta uma jornada longa e desafiadora para reatar seus laços sociais e restabelecer a harmonia nacional.

Que Nossa Senhora rogue por nós!

Fontes de pesquisa: Wikipédia; CVI – Consórcio de Veículos de Imprensa, Instituto Lula; Brasil Escola; Toda Matéria; Valor Econômico; UOL; PT Brasil, TCU, IPEA, G1MT, DIEESE, IBGE.

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