Recentemente, coloquei em prática muito do que venho pesquisando sobre a importância da qualidade do pensamento na era da Inteligência Artificial e a necessidade de desenvolvê-lo intencionalmente por meio da arte.
Quando olhamos para as habilidades humanas, percebo que as de autoeficácia (como motivação e resiliência) e as sociais (como liderança e influência) estão historicamente mais em pauta. Por isso, possuem estratégias mais consolidadas de desenvolvimento. Já as habilidades cognitivas — como o pensamento analítico e o criativo — são as que menos trabalhamos de forma intencional na educação de adultos. Todo mundo cobra pensamento crítico, mas quase ninguém se dedica a desenvolvê-lo.
A IA elevou ainda mais essa complexidade ao estabelecer-se como nossa parceira de pensamento. Nessa dinâmica, ela pode elevar o pensamento criativo a um patamar superior ou, pelo contrário, substituir o pensar pela rendição cognitiva (o ato de desistir, voluntária ou involuntariamente, de processar informações), sem que o indivíduo perceba a diferença.
O pensamento é invisível. Ele acontece antes da ação: para tomar boas decisões, precisamos do pensamento analítico; para inovar, do pensamento criativo.
A aposta que fiz no desenho da minha prática foi justamente esta: tornar o pensamento visível. Usei a metacognição — a capacidade de refletir sobre o próprio pensamento — não só como conteúdo de base, mas como procedimento permanente em qualquer criação.
É o ciclo de pensar, fazer, pensar sobre o fazer e pensar sobre o pensar.
Pensar, fazer, pensar sobre o fazer, pensar sobre o pensar.
Para tornar esse processo tangível, trabalho diversos conceitos, mas sempre como fomentadores de reflexão, nunca como fórmulas prontas.
Os resultados têm sido incríveis. Em parcerias, frequentemente recebemos relatos de participantes que nunca se consideraram criativos, mas que perceberam que podem aprender a ser — e que aprenderam a pensar de forma mais intencional e inteligente.
Aprender a pensar é menos trivial do que parece, mas é totalmente possível.
Em plena economia da atenção, o maior impacto desse trabalho, para mim, é fazer com que as pessoas parem de abrir mão do próprio pensamento.
